Nosso século é conhecido por seu extraordinário avanço tecnológico, e na ciência tem-se buscado a resposta para a inquietante pergunta: “Que é o homem?” A despeito dos esforços despendidos no afã de respondê-la, a incógnita persiste. Alexis Carrel, famoso cientista e Prêmio Nobel de Filosofia, declarou que o homem é “um grande desconhecido e estranho.” Da ciência escorregou-se para a filosofia, numa tentativa super-humana de satisfazer a tremenda curiosidade: “Que é o homem?” “Por séculos a idéia sobre o homem tem sido influenciada pelo filósofo grego Platão. Ele sugeriu que o homem consiste em duas partes: a alma imortal e o corpo corrupto, mortal. Esses dois elementos ele via como totalmente diferentes: um eterno e bom, outro mau, fraco e temporário. Durante a vida na Terra, ensina Platão, a alma tem de residir no corpo, como numa prisão de que se vê livre na morte. Ele fala do corpo como ‘fonte de intermináveis problemas’, e cria que o puro conhecimento de tudo poderia ser alcançado quando a alma se libertasse do corpo.” – Lição da Escola Sabatina, 1975, pág. 29.
Esta idéia platônica choca-se de frente com o ensino bíblico de que o “corpo é o templo do Espírito Santo” (I Cor. 6:19). Daí, nota-se o grande contraste “entre a idéia do corpo como uma prisão da alma e o conceito bíblico de que ele é o templo do Espírito Santo”. Por outro lado, a Bíblia é clara ao afirmar que o homem foi criado por Deus como “alma vivente” (Gên. 2:7). Ele não “abriga uma alma” dentro de si, ele próprio é uma “alma vivente”.O entendimento a respeito do corpo e da alma levará o homem a determinar o seu conceito sobre a morte e o espiritismo. Portanto, é necessário discernir pelo estudo do santo Livro o que é um e o que é o outro.
QUE É O HOMEM?
O homem, esse ser maravilhoso, feito um pouco menor que os anjos, tem sido objeto de muitas especulações quanto à sua estrutura. E perguntas como – O que é o homem? Tem ele uma alma? Sai dele, quando morre, uma entidade abstrata que vai se incorporar em outro ser, racional ou irracional? Estas são indagações cotidianas.Para essas perguntas, a Bíblia somente tem a resposta, e nós a estudaremos para descobrir a verdade a respeito. O primeiro passo é sabermos o que é o homem. A Bíblia diz:Gênesis 2: 7 – “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou emseus narizes o fôlego da vida, e o homem foi feito alma vivente.” (Isa. 29:16; 45:9; I Cor. 15:45).Veja como é simples: Deus uniu dois elementos: Boneco de barro e fôlego de vida, o que resultou em uma alma vivente,ou seja: um ser vivente, e este ser vivente só existirá através da junção destes dois elementos que o trouxeram à existência, isto é: corpo (boneco de barro) e fôlego de vida.
Para você entender claramente, observe o seguinte:
• A luz elétrica é a resultante da união de dois elementos: energia ou corrente elétrica, mais a lâmpada. Desta união, temos a brilhante luz.• A cadeira não tem cadeira, ela é uma cadeira, que é a união de pregos e madeira. • A mistura de tinta azul com tinta amarela resulta na cor verde. O verde não tem verde, ele é verde.Claro que a corrente elétrica só, não ilumina. A luz é o resultado da união normal da energia ou corrente elétrica com a lâmpada. Se você cortar o fio que leva a eletricidade até a lâmpada, esta não produzirá luz. Da mesma maneira, a lâmpada só, sem energia, também não ilumina.O verde também só existirá quando continuarem misturados o azul e o amarelo. Estas cores, azul e amarelo, são cores básicas e têm existência própria; o verde, porém, é uma cor derivada e só existirá quando estiverem perfeitamente misturados o azul e o amarelo.Desta forma, a “alma” é o resultado da união destes dois elementos utilizados por Deus ao criar o homem: o pó da terra e o fôlego de vida. Ambos se juntaram e produziu-se uma alma vivente – o homem.O corpo por si só não pode pensar, agir, arrazoar. Porém, Deus, ao introduzir nele o fôlego de vida, tornou-o mais que uma simples matéria. Entrementes, assim como a corrente elétrica, só, não ilumina, da mesma maneira o fôlego de vida só não pode pensar, arrazoar, sentir, chorar, sofrer, nem realizar alguma função de vida inteligente.Mas, a união do fôlego de vida (que é a própria vida dada por Deus) com o pó (barro) produziu imediatamente um homem inteligente, com capacidade de raciocinar, sonhar, sentir, pensar, agir, decidir. Portanto, a idéia de que o homem tem uma alma dentro de si é contrária à Bíblia. O homem, tornou-se sim, uma alma vivente. Ele não tem uma alma, ele é uma alma.Assim, fica fácil entender as expressões bíblicas:“Minha alma tem sede de justiça...”“ Minha alma clama ao Senhor... ”“Louco! esta noite pedirão a tua alma...”“Alma, tens em depósito muitos bens, etc...”São expressões de linguagem que denotam todo o desejo do homem em direção ao seu Criador. É o mesmo que dizer: “Eu tenho sede... eu clamo... você morrerá esta noite... ela, ele, eu, você, temos muitos bens, etc. De toda a criação, foi o homem o único ser que não surgiu por uma ordem de Deus, mas foi feito pelas Suas próprias mãos, moldado com todo carinho e depois soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o “boneco” de barro transformou-se numa criatura, uma alma vivente, um ser racional e inteligente.O apóstolo Paulo confirma esta verdade afirmando: “...o primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente...” (I Cor. 15:45). E João abona a palavra paulina: “E o segundo anjo derramou a sua salva no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda alma vivente.” Apoc. 16:3.Portanto, não somente o homem, mas também todos os animais têm o mesmo fôlego provindo de Deus para tornarem-se almas viventes, criaturas viventes (Lev. 11:10, 46). O livro da Gênesi do mundo, fornece, entre outros, o seguinte texto esclarecedor:Gênesis 7: 21-22“E expirou toda a carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado e de fera, e de todo réptil que se roja sobre a terra, e todo homem, tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em seus narizes, tudo o que havia no seco morreu.”Note, irmão, a clareza do texto: animais, aves, peixes e homens... todos têm o mesmo fôlego de vida, que, ao lhes ser retirado, morrem. Salomão esclarece da seguinte maneira:Eclesiastes 3: 19-20“Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para o mesmo lugar, todos são pó, e ao pó tornarão.” Fica claro então que, no tocante ao fôlego (Sal. 150:6), não há diferença entre o homem e o animal. Ambos respiram, vivem e morrem quando lhes é retirado o fôlego de vida. Por isso não tem vantagem nenhuma o homem sobre o animal. A grande diferença, porém, é que, aos olhos de Deus, o homem está em uma posição muito elevada. O animal morre, desaparece e fica por isso mesmo.Com o homem, porém, é diferente. Se ele quiser, está ao seu alcance uma vida eterna que lhe é concedida pelo Filho de Deus, morto em uma cruz. Só aqui, portanto, reside a grande diferença entre a alma vivente (animal racional) e a alma vivente (animal irracional).A expressão fôlego de vida é algumas vezes empregada de forma diferente pelos escritores inspirados, como por exemplo:Jó chama de alento e sopro — Jó 27:3De espírito — Jó 14:10-12
Davi chama de respiração — Sal. 104:29De espírito — Sal. 146:4
Salomão chama de fôlego — Ecl. 3:19De espírito — Ecl. 12:7
Tiago já chama de vapor — Tiago 4:14
Moisés chama de sopro — Êxo. 15:8
De espírito — Gên. 7:22.
“O conceito de vida imediatamente após a morte jamais foi apresentado na parte hebraica ou grega da Bíblia. Originou-se com a filosofia grega e penetrou no judaísmo no período helenista (entre o quarto e o primeiro séculos antes de Cristo). Os fariseus assimilaram de fontes gregas a doutrina da imortalidade da alma. Essa doutrina veio para dentro da Igreja Cristã principalmente por influência do autor judeu Filo e os teólogos cristãos de Alexandria: Clemente (cerca de 150 a 215 d.C.) e Orígenes (cerca de 185 a 254 d.C.). A doutrina da imortalidade da alma é a base do espiritismo e também da filosofia da Nova Era.” – Lição da Escola Sabatina, nº 12, pág. 2, – l5/9/1996.
Assim Diz O Senhor - Página 24
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